Enrolado e falso moralista, Weverton Rocha, do PDT, vê candidatura ao Senado desidratar no Maranhão

   

Deputado federal pelo PDT do Maranhão e de olho em uma cadeira do Senado da República, Weverton Rocha deve estrear em 2018 com mais problemas do que soluções. Arrogante, como se fosse a versão moderna e tropical de Aladim, o folclórico gênio da lâmpada maravilhosa, Weverton é integrante do grupo de parlamentares coléricos que fazem oposição ao presidente Michel Temer, sempre rotulado como “golpista” pelo deputado maranhense.

Weverton Rocha, que insiste em sua candidatura ao Senado Federal – sua eleição seria um enorme desserviço ao povo maranhense – começa a perder apoio político no estado mais pobre da federação. Essas deserções políticas reforçam um processo de desidratação da a candidatura do deputado maranhense. Algo perigoso para quem sequer foi oficializado como tal. Ou seja, se antes da largada Weverton já enfrenta problemas, com a campanha em marcha o prejuízo pode ser ainda maior.

A mais recente deserção foi do presidente estadual do Partido da República, Josimar Maranhãozinho, que descartou a possibilidade de apoiar o pedetista em seu projeto rumo ao Senado. “Uma coisa é certa, não voto em Weverton Rocha”, disse Maranhãozinho.

O presidente do capítulo maranhense do PR não mede esforços para escancarar sua decepção com o PDT e Weverton Rocha, lembrando que sua maneira de fazer política difere da dos pedetistas, sempre agarrados às mentiras. “Eu sou um homem de palavra, quando digo algo, faço cumprir. O PDT, Weverton e Edivaldo nunca cumpriram com as palavras deles em nada”, afirmou Maranhãozinho.

Usina de escândalos

Enquanto, em Brasília, espalha pílulas de moralismo de camelô, a partir da tribuna da Câmara dos Deputados, Weverton Rocha coleciona escândalos nada amenos em seu conturbado currículo político, que de tão vergonhoso fala por si.

As primeiras acusações envolvendo Weverton surgiram em 2011, na esteira de um esquema de corrupção no Ministério do Trabalho, pasta que durante algum tempo ele sonhou em comandar. À época, a revista Veja publicou reportagem denunciando que servidores e ex-servidores de órgãos de controle da pasta exigiriam comissão de 5% a 15% do valor dos convênios para resolver “pendências” nos contratos.

No mesmo ano, Rocha já era alvo de sete ações judiciais por improbidade administrativa no Maranhão, sendo seis na Justiça Estadual e uma na Justiça Federal, todas relacionadas ao período em que esteve à frente da Secretaria Estadual de Esporte. As irregularidades incluíam favorecimento ilícito à empresa responsável pela reforma de um ginásio esportivo e o desvio de mais de mil colchões destinados às famílias desabrigadas pelas enchentes no Maranhão, em 2008. Além disso, Weverton Rocha patrocinou com dinheiro público (R$ 88.054,25) a reforma de um campo de futebol da Associação dos Delegados do Maranhão (Adepol).

Em 2012, o pedetista foi acionado pela Justiça Federal para explicar irregularidades no ProJovem Urbano. Pelo menos R$ 3,9 milhões teriam sido desviados, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que apontou falha na transferência R$ 6.930.900 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a Secretaria de Esporte e Juventude (SESPJUV).

De acordo com a denúncia, Rocha dispensou, de forma indevida, a licitação para a contratação da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar) e do Instituto Maranhense de Administração Municipal (Imam). A pena a ser cumprida era à devolução de R$ 6.098.010, perda do cargo público, suspensão dos direitos políticos e multa.

Em relação à Ação Penal 683, que trata da contratação da Fundação Darcy Ribeiro, Weverton Rocha alegou que não havia à época entidade capaz de realizar o trabalho. No caso da Ação Penal 700, que tem como cardápio jurídico a contratação de empresa para transportar atletas pelo estado, Rocha alegou que “houve contrato com a única empresa que se apresentou no certame”.

Em 2013, o Supremo Tribunal Federal decidiu intensificar as investigações sobre a cobrança de propina no âmbito do Ministério do Trabalho para a liberação de recursos destinados organizações não governamentais (ONGs). Weverton Rocha, segundo a denúncia, estaria envolvido no esquema que resultou na queda do presidente do PDT, Carlos Lupi, á época ministro da pasta. O inquérito apura o desvio de recursos públicos e corrupção na contratação de ONGs entre 2007 e 2011.

Em outro vértice desse caldeirão de escândalos surge a Federação do Desenvolvimento das Organizações do Terceiro Setor do Maranhão (Fedecma), Ong comandada por Marileide Rocha, mãe do deputado Weverton, que contratou com recursos do Ministério do Trabalho – comandado por pedetistas – terreiro de umbanda para capacitar jovens em massagem, relaxamento e depilação.

Weverton Rocha é alvo de inquérito (nº 3.621) que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e que tem como relatora a ministra Rosa Weber. Somadas as penas referentes aos crimes citados na denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República, o deputado pedetista poderá ser condenado a dezenove anos de reclusão.

A última movimentação do inquérito, de acordo com registros do STF, foi em março passado, mas se a Corte decidir levar retomar o caso no retorno do recesso do Judiciário, Weverton Rocha corre o risco de ver seu sonho de chegar o Senado se transformar em um agitadíssimo pesadelo.

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